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Responsabilidade Social

A SOLIDARIEDADE EM PROL DOS DESABRIGADOS

Campanha social arrecada peças de roupas para os residentes e assistidos por albergues.

Com o tema “Sua roupa usada pode ser um novo começo para alguém”, a Benedetti Advocacia realizou, nos meses de julho a agosto de 2015, a campanha em prol do albergue Bom Samaritano, em Londrina, e da Casa Acolhida Vicente Pallotti, em Arapongas.

Neste ínterim, mais de 1000 peças foram arrecadadas a fim de vestir os albergados, que solicitam ajuda tanto para dormir quanto para realização de higiene pessoal, chegando estes muitas vezes, apenas com a roupa do corpo, já velha e suja.

São acolhidos no espaço uma média de 20 a 40 pessoas por noite. No inverno a situação se agrava, pois a procura se intensifica, havendo um aumento da demanda em torno de 20%.

O público alvo dos albergues são as pessoas que chegam das ruas de Londrina e proximidades, havendo, inclusive, gente de outro país e com uma história de vida pessoal marcada, em sua maioria, por perda de vínculos familiares e dependência em substâncias psicoativas.

A História de Hugo, de 36 anos, que não quis se identificar, é permeada por drogas. Aos 15 anos, já era usuário de cocaína e crack. Casou-se aos 17 anos, mas o vício não colaborou com o seu casamento e sua vida pessoal, e após 11 anos de luta e sofrimento, perdeu contato com a família, conforme relato: “minha esposa não me aguentava mais, pois não dá para aguentar um dependente químico, que rouba dentro de casa e que agride a esposa. A minha mãe também não me aceitava mais dentro de casa, nem minha irmã, por isso fui morar na rua”.

Sobre as atividades desempenhadas, Hugo, que já passou por diversas vezes no albergue, no decorrer de 10 anos, já trabalhou em gráfica, na construção civil e com vendas, e, em tom de brincadeira e emocionado, fala: “eu consigo vender tudo que você quiser, até história triste! E a minha história triste, que não é invenção, é que com 6 para 7 anos de idade eu perdi o meu pai. Fui criado pela minha mãe e minha avó e éramos uma família feliz, mas sem a presença do meu pai houve uma quebra na união da família e 4 anos depois a minha avó veio a falecer também, e foi então que a minha família desestruturou totalmente. Minha mãe não me deu tanta atenção e a partir daí comecei a me envolver com drogas, e, consequentemente, com a criminalidade".

Outro perfil recorrente nos albergues é de pessoas doentes de outros municípios vizinhos e que procuram a região metropolitana para realizar tratamento de saúde, principalmente em se tratando de especialidades como câncer. Há ainda a procura pelo albergue por conta de ofertas de emprego, que sem condições financeiras de custear uma residência em novo ambiente, procuram o albergue até se abastecerem. Tal situação ocorre, em especial, na vida de jovens que migram da zona rural.

Seu Manoel Rodrigues Severino, de 34 anos, é um dos albergados, que se instalam no local temporariamente. “Eu sou de Ponta Grossa, lá estava com muito serviço e então eu vim pra cá. Eu trabalhava com a Construção Civil e estou aqui até encontrar um emprego, e no momento estou fazendo bicos”.

Sobre a sua situação de vida, seu Manoel ainda complementa: “aqui tem várias pessoas com várias personalidades e ninguém é mais que ninguém, mas para a pessoa chegar em um albergue, teve alguma falha na vida, alguma coisa errou. Eu não tenho problema com droga, mas tenho problema com alcoolismo. Fui casado e deixei a casa no nome do filho para não perder. Se eu tivesse por aí eu estaria bebendo. Geralmente, quando a pessoa está no abrigo, algum vício tem, normalmente, ou é álcool ou é droga. Hoje faz um mês que estou sem beber, mas nos primeiros dias não foi fácil, foi uma decisão minha".

Quanto ao Albergue e às doações recebidas, Hugo, ainda que tenha e saiba vender história triste, elogia seu lar temporário: “Eu gosto do Albergue, da comida, e das pessoas, do psicólogo, além das amizades que fazemos, por isso, sinto falta daqueles que passaram por aqui. As doações que recebemos também são muito importantes. O pessoal do albergue faz o Kit e essa bermuda e essa camisa eu também recebi. É importante porque nós não temos renda, nem mesmo para manter a nossa higiene. E tem gente que se não tem como se manter, até rouba. Eu não, porque não faço mais isso!”

Carla Benedetti